Atualizado em 23 de April de 2026

Palavras-chave
Laboratorios
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Laboratório Ibermuseus aborda o enfoque de direitos e o papel das mulheres na construção, proteção e transmissão da memória

LAB.IG-01ES

O enfoque de direitos culturais e a perspectiva de gênero situam-se atualmente como prioridades entre os eixos de trabalho do Programa Ibermuseus. Nesse contexto, foi realizado um dos seus Laboratórios Ibermuseus (22 de abril de 2026), centrado na reflexão sobre memória, direitos culturais e gênero no âmbito museológico ibero-americano. Participaram 50 pessoas vinculadas ao Programa, que integram o Conselho Intergovernamental, as mesas técnicas das linhas de ação e diferentes grupos de trabalho.

Coorganizado pela Unidade Técnica de Ibermuseus e pela Subdirección General de Museos Estatales del Ministerio de Cultura de España, este espaço de trabalho foi desenvolvido em formato de diálogo orientado à troca de experiências e à construção coletiva.

O laboratório centrou-se no papel dos museus como agentes-chave na construção, proteção e transmissão de memórias diversas, incorporando um enfoque interseccional dos direitos culturais e valorizando o papel das mulheres nesses processos.

A partir das vozes de destacadas referentes de Espanha, Brasil, Chile e Colômbia, foram abordadas tanto políticas públicas quanto práticas institucionais que incorporam a perspectiva de gênero.

A sessão foi moderada por Carolina Bustamante, curadora e gestora cultural, e contou com a participação de especialistas de diferentes países:

Patricia Alonso, directora do Museo Nacional de Antropología (Espanha)
María Rosón, professora da Universidad Complutense de Madrid (Espanha)
Irene de la Jara, Subdirección Nacional de Museos (Chile)
Ana Carolina Gelmini, Instituto Brasileiro de Museus – Ibram (Brasil)
Jackeline Rojas, Organización Femenina Popular (Colômbia)

Suas intervenções evidenciaram a necessidade de avançar para narrativas mais inclusivas e representativas, bem como o potencial dos espaços museológicos como âmbitos de poder a partir dos quais abordar as memórias, promover diálogos complexos e construir ambientes de confiança. Neles, é possível situar a perspectiva de gênero de forma transversal na gestão, conservação, pesquisa, exposição, educação e no conjunto das metodologias que atravessam o fazer museológico.

Durante a sessão, foram compartilhadas experiências relacionadas à memória, aos arquivos, às políticas públicas e às práticas comunitárias, colocando em diálogo diferentes abordagens sobre a incorporação da perspectiva de gênero no setor.

Entre as principais linhas de reflexão, destacou-se a memória como um processo coletivo em constante construção, atravessado por relações de poder, gênero e território, bem como o papel fundamental das mulheres na transmissão, no cuidado e na ressignificação do patrimônio. Destacou-se também a necessidade de integrar a perspectiva de gênero de forma estrutural nas políticas públicas e práticas museológicas, reforçando o papel dos museus como espaços de mediação, diálogo social e construção de cidadania.

Nesse contexto, evidenciou-se uma crescente consciência sobre a marginalização histórica das mulheres, bem como a persistência de processos de invisibilização. Colocou-se a necessidade de questionar quem torna visíveis as memórias, quem define os relatos e a partir de quais posições de legitimidade são construídos em representação do coletivo.

Na sua fase final, o laboratório aprofundou os desafios estruturais do setor, sublinhando a necessidade de reforçar o reconhecimento de áreas como a mediação, a conservação ou o arquivo, assim como das pessoas que participam na transmissão de narrativas. Destacou-se, nesse sentido, a importância de revisar criticamente os processos de construção da memória, tornando visíveis tanto suas estruturas quanto seus silêncios, entendendo que a ausência também comunica e pode abrir novas possibilidades de interpretação.

Destacou-se ainda o valor dos espaços de desconforto como motores de transformação, na medida em que permitem tensionar privilégios, ampliar a participação de vozes diversas e avançar para instituições mais abertas, inclusivas e representativas. Nessa linha, reforçou-se a importância de fortalecer o diálogo com as comunidades vinculadas às coleções, incorporando de forma mais consistente suas experiências, saberes e demandas.

Por fim, foram abordados desafios contemporâneos centrais, como a integração das memórias migrantes nos relatos museológicos, reconhecendo sua centralidade nas configurações sociais atuais. Tudo isso evidencia a necessidade de adotar uma perspectiva interseccional que permita compreender a complexidade dos processos de memória em sua articulação com gênero, classe, raça e território, contribuindo para a construção de narrativas mais justas, plurais e situadas.

Os Laboratórios Ibermuseus constituem espaços de reflexão e intercâmbio que funcionam como viveiros de ideias para fortalecer, a partir do Programa, suas linhas de ação e sua capacidade de incidência no âmbito museológico ibero-americano. Neles se articulam diferentes perspectivas, problematizam-se práticas e abrem-se caminhos para a construção de enfoques mais críticos, inclusivos e situados.

 

 

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