Atualizado em 11 de November de 2025

Prêmio Ibermuseus de Educação

4º lugar, Categoria Única

País

Brasilbrasil-1-aspect-ratio-276x276

Ano

2024

Responsável pelo Projeto

Ana Carolina de Souza Gonzalez

Cargo ou Função

Pesquisadora

Departamento ou Coordenação

Núcleo de Estudos de Público e Avaliação em Museus

Instituição

Museu da Vida Fiocruz

Telefone

+55 (21) 3865-2128

O encontro entre Museu e Favelas: tecendo saberes e diálogos sobre educação ambiental em territórios vulnerabilizados

04_Museu-da-vida

O Museu da Vida Fiocruz, localizado no campus da Fundação Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio de Janeiro, desenvolve desde 2016 o projeto O Encontro entre Museu e Favelas em diálogo com os grandes complexos de favelas de Manguinhos, Maré, Jacarezinho e Alemão, territórios que figuram entre os de menor Índice de Desenvolvimento Humano da cidade. A iniciativa parte do reconhecimento das profundas desigualdades sociais e da necessidade de as instituições de ciência e cultura se aproximarem dos movimentos sociais da periferia, fortalecendo ações emancipatórias e promovendo o direito à ciência, à saúde e à cultura.

O trabalho organiza-se em três frentes complementares: “o museu vai à favela” (itinerância de exposições e ações de divulgação científica, teatro, jogos e oficinas nos territórios); “a favela vai ao museu” (transporte de grupos pelo Expresso da Ciência para visita ao museu, às exposições de longa duração e temporárias, ao borboletário, aos prédios históricos e às atividades de meio ambiente e sustentabilidade); e “o diálogo no qual museu e favela se reinventam”, concretizado no subprojeto Pró-Cultural, um programa desenvolvido no contexto da educação museal para jovens estudantes do ensino médio, moradores de favelas, voltado à sua inserção no campo da produção cultural.

Com o foco no fortalecimento das relações e no compartilhamento de conhecimentos sobre temáticas que envolvam os determinantes socioambientais da saúde – como racismo ambiental- , são também promovidos seminários pelo Museu da Vida Fiocruz. Pautados pela troca de experiências educativas e com impacto na popularização da ciência, esses eventos são momentos muito potentes de encontros entre educadores, estudantes, professores e representantes de organizações comunitárias atuantes nos territórios de Manguinhos e Maré com interface com o nosso museu. Como exemplo, podemos citar os Seminários de Educação Ambiental e Mudanças Climáticas realizados em 2025 e o 3° Encontro de Curadoria com Participação Social previsto para 2026.

Entre os seus objetivos centrais, o projeto procura popularizar a ciência de forma dialógica, articulando saber científico e saber popular, promover a ocupação do espaço público da Fiocruz pelas populações de favelas e periferias e provocar o debate sobre o papel social dos museus de ciência no Brasil. Além disso, estimula a reflexão conjunta sobre participação social, democratização da ciência, direitos humanos, determinantes sociais da saúde, impactos da violência e construção de territórios sustentáveis e saudáveis, ao mesmo tempo em que fortalece as parcerias interinstitucionais da Fiocruz com atores públicos, coletivos sociais e culturais.

A metodologia está ancorada na museologia social e em referenciais como o construtivismo, o sociointeracionismo e a educação libertadora de Paulo Freire. O processo inclui a construção de parcerias com organizações comunitárias, a expansão progressiva das ações territorializadas, o desenvolvimento de iniciativas em que moradores atuam como protagonistas e coautores e a avaliação contínua por meio de estudos de público, debates e publicações como os Cadernos do Museu da Vida. Ao longo dos anos, o projeto tem contribuído para o empoderamento de jovens e comunidades, para a consolidação da Curadoria com Participação Social e para a transformação do próprio museu num espaço mais aberto à diversidade social e cultural do território.

Você está utilizando um navegador desatualizado. Por favor atualize seu navegador para visualizar corretamente este site.