Atualizado em 13 de November de 2025

Prêmio Ibermuseus de Educação

Menção Honrosa

País

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Ano

2024

Responsável pelo Projeto

Micaela Joana Cruz Santos

Cargo ou Função

Curadora do Museu Mineiro de São Pedro da Cova

Departamento ou Coordenação

Cultura

Telefone

+351 935663998

Bairro Norte Memória e Identidade

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Bairro Norte Memória e Identidade é um projeto de continuidade do Museu Mineiro de São Pedro da Cova, que tem como foco a memória mineira e o reforço da coesão social no Bairro Mineiro de São Pedro da Cova. Construído em 1920 pela Companhia das Minas, o bairro foi, durante décadas, um espaço operário onde quase todas as famílias partilhavam o mesmo trabalho na mina e modos de vida semelhantes. Com o encerramento da exploração de carvão, nos anos 70, e a reconfiguração do conjunto em bairro municipal de habitação social nos anos 90, acentuaram-se situações de pobreza, fraca coesão social e perda de identidade coletiva.

O projeto desenvolve-se em três fases interligadas. A primeira, realizada em 2020, centrou-se na recolha de testemunhos orais de moradores do Bairro Mineiro, na criação do grupo musical “Meninos do Bairro Norte e Vasco Balio” – que proporcionou acesso à educação musical a crianças através de sessões de percussão e coordenação motora – e numa exposição fotográfica sobre o antigo bairro mineiro. Estas ações permitiram juntar diariamente a comunidade à volta das fotografias, promovendo a partilha de memórias, histórias e hábitos, e reforçando o sentimento de pertença.

Em 2025, encontra-se em preparação a segunda fase, que avança com a Mobilização Comunitária e o Diagnóstico Participativo, recorrendo a metodologias participativas e colaborativas. Em conjunto com cerca de 50 moradores e organizações locais, serão discutidas questões como: o que significa viver no Bairro Mineiro, que problemas e potencialidades existem, como são as relações dentro da comunidade e com o exterior, e que aspirações existem para o futuro coletivo. Em seguida, será implementado um Programa de Embaixadores do Bairro Mineiro, formando e capacitando dez moradores, através de educação não formal, para atuarem como mediadores, anfitriões e representantes da comunidade. Paralelamente, o desafio de reportagem fotográfica mobilizará habitantes na produção de imagens do bairro, que serão apresentadas numa Exposição Coletiva de Fotografia, instalada nas próprias ruas, valorizando o espaço público, o património e as pessoas que ali vivem.

O projeto já envolveu cerca de 300 participantes, reforçou a coesão social, criou oportunidades de acesso a práticas artísticas e culturais e estimulou a ligação entre o bairro e a comunidade envolvente – por exemplo, quando os próprios moradores, por iniciativa própria, passaram a orientar visitas guiadas ao território. Em termos de inovação, combina o uso de ferramentas digitais (Microsoft Forms, Form Tool, Mentimeter) para o diagnóstico e a participação com abordagens de inclusão pela arte e processos de planeamento cultural partilhado. Integra ainda uma dimensão anticapacitista, ao trazer para o centro do projeto o músico Vasco Balio, portador de paralisia motora, cujo regresso aos palcos funcionou como exemplo de participação plena, e uma perspetiva de género, ao registar e valorizar os testemunhos das trabalhadoras mineiras e das suas filhas como parte essencial da memória e da identidade local.

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