Atualizado em 13 de November de 2025
Equador
Carolina Salomé Enríquez Peñaherrera
Responsável de Museologia Educativa CAC
Centro de Arte Contemporáneo - Museologia Educativa
(02) 381-3340
ASAMBLEAR LA DIFERENCIA: tejido de voces para otros museos posibles corresponde à segunda fase de ação do Consejo Educativo del CAC, criado em 2024 como alternativa de participação direta das comunidades ligadas ao Centro de Arte Contemporáneo de Quito. Por meio de assembleias, oficinas educativas e experiências em território, o projeto procura que as vozes, leituras críticas e desejos das comunidades incidam de forma concreta na agenda educativa, nos discursos expositivos e na compreensão do museu enquanto espaço público.
Nesta etapa, o Conselho Educativo propõe-se “asamblear la diferencia”: abrir espaço para múltiplas vozes e sentidos, questionar as narrativas do museu de arte contemporânea, debater desigualdades de classe, raça, género e território e construir alternativas educativas desde o comum. O CAC torna-se, assim, um lugar de encontro entre coletivos feministas de estudantes de arte, estudantes de colégios públicos, escolas interculturais bilíngues, comunidades de bairros periféricos, docentes universitários e associações de mulheres idosas, que passam a definir, em conjunto, que museu querem e que sentidos desejam produzir.
A metodologia organiza-se em duas grandes fases. A primeira, já realizada, centrou-se na criação do Consejo Educativo del CAC e de uma agenda educativa comunitária, através de mapeamentos participativos, assembleias periódicas no museu, oficinas, mingas, atividades em território e ollas comunitarias. A segunda fase, ASAMBLEAR LA DIFERENCIA, aprofunda as leituras críticas das exposições do CAC, promove oficinas nos bairros e converte esses processos em materiais de educomunicação – podcasts, exposições comunitárias, produções gráficas e um manifesto expositivo intergeracional.
Entre os principais resultados obtidos destacam-se: a criação de um conselho consultivo com sete comunidades diversas; a realização de sete assembleias no museu e seis oficinas abertas ao público; catorze atividades educativas em território; e duas ollas comunitarias com as comunidades participantes. Em 2024, o projeto alcançou 2.734 pessoas, sobretudo jovens e adultos de bairros marginalizados de Quito, bem como crianças e pessoas idosas.
O caráter inovador do projeto reside em deslocar a lógica tradicional da programação educativa: a agenda do CAC deixa de ser apenas uma derivação das exposições temporárias e passa a ser construída horizontalmente com as comunidades. As práticas políticas e de cuidado desses coletivos – círculos de mulheres, memórias de ancestrais, assembleias populares, mingas – são trazidas para dentro do museu e utilizadas para transformar as formas de aprender, conviver e cuidar em coletivo. Com um forte enfoque de género e diversidades, e a partir de pedagogias feministas e interseccionais, o projeto projeta o CAC como laboratório para imaginar e experimentar “outros museus possíveis”.
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