Atualizado em 08 de maio de 2019

Autor

Gustavo Marcondes

País

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Curso Ibermuseus promove a criação de redes de profissionais contra o tráfico ilícito na Ibero-América

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Dezessete profissionais de nove países – Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Portugal e Uruguai – participaram do Curso Ibermuseus de Capacitação Tráfico Ilícito de Bens Culturais: Circulação do Patrimônio Museológico, realizada no Museu Nacional Arqueologia da Bolívia – MUNARQ, em La Paz, de 6 a 8 de maio. Esta atividade, desenvolvida por Ibermuseus com o apoio do Ministério de Culturas e Turismo, também promove que cada um dos assistentes tenha agora a missão de desenvolver um projeto de multiplicação que divulgue os conhecimentos adquiridos no seu país ou região.

“Os projetos de multiplicação são a materialização dos instrumentos que os participantes aprendem e obtêm deste curso. Cada um replica em seu país os elementos que considera mais importantes. Com isso, passamos a tecer redes de profissionais que vão além da execução do curso”, explica Ivette Celi (foto), instrutora, diretora executiva do Museu Nacional do Equador e coordenadora acadêmica da atividade.

Essa foi a segunda edição do Curso Ibermuseus sobre Tráfico Ilícito. Em 2018, 20 profissionais de nove países da América Central, México e Espanha participaram da primeira edição, realizada em San José, na Costa Rica. Desta forma, se somadas as duas edições, foram capacitados 37 trabalhadores de 18 países cujo trabalho está diretamente relacionado ao controle e gestão de coleções, ou encarregados de processos de inventário, movimento e controle de coleções de museus.

“Este curso tem elementos muito interessantes, como a participação de instrutores internacionais que raramente podem estar juntos em um único espaço. Além disso, é oferecido uma série de materiais didáticos, informações contextuais, regulamentos e o próprio compartilhamento de experiências entre os participantes, de forma que o profissional do museu retorna ao seu país com uma nova perspectiva sobre o assunto”, afirma Ivette Celi, representante da mesa técnica de Formação e Capacitação do Ibermuseos.

“É uma experiência enriquecedora pelos conteúdos oferecidos no curso. Acima de tudo, para o Uruguai é muito importante porque nós, em relação a outros países, temos trabalhado há relativamente pouco tempo nessas questões de tráfico ilícito de bens culturais”, diz o participante Aparicio Arcaus, coordenador dos museus do departamento de Soriano, no Uruguai.

“Ao mesmo tempo, estar em um país como a Bolívia, com uma carga identitária muito poderosa, um lugar onde você respira e experimenta o patrimônio cultural de uma maneira especial leva a refletir sobre a importância de todas as ações que podem ser exercidas nesse tema”, observa Aparicio, que buscará, como projeto de multiplicação, identificar atores e instituições de referência para a criação de uma rede de cooperação regional para a prevenção e o combate ao tráfico ilícito.

Para Isaac Callizaya Limachi (foto), que desenvolve atividades para promover o desenvolvimento do turismo comunitário e a revalorização do patrimônio cultural e arqueológico existente no município de Puerto Pérez, na Bolívia, é importante levar o tema do patrimônio às comunidades bolivianas. “Nossas comunidades estão vivendo diariamente com esse patrimônio, como o chamamos nas áreas urbanas, mas para nós esses espaços são locais sagrados, são objetos sagrados. É necessário levar para essas comunidades as formas de preservar essas peças, e para isso precisamos sensibilizar sobre seu valor histórico”, explica Isaac.

“O desafio que tenho é replicar o conteúdo deste curso para os museus que temos, para as unidades educacionais, porque há muito interesse em redescobrir essa história em nossas comunidades, porque antes não tínhamos essa oportunidade. É por isso que a questão do tráfico ilícito de bens para nós é relevante. Queremos proteger, cuidar dessa herança”, complementa Isaac.

Fanny Celeste Torrez Mamani, administradora do Complexo Turístico do Lago Titicaca, na Bolívia, destaca a importância da criação de leis municipais e do inventário do patrimônio arqueológico como formas de combater o tráfico ilícito em toda a região ibero-americana, mas acima de tudo a conscientização dos profissionais envolvidos com o assunto. “Como fizemos parte deste curso, estamos indo com a tarefa de promover o conhecimento adquirido em nossas localidades.”

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